Convênio firmado entre a UFSM, a FATEC e a Companhia Russa elevam Santa Maria entre as três cidades na América do Sul que fornecerão dados para melhorar sinais do sistema Russo de posicionamento por satélites

segunda, 04 de maio de 2015.

A UFSM, a FATEC e a Companhia Russa de Pesquisa e Produção de Sistemas e Instrumentos de Precisão OJC “RPC” “PCI, firmaram no mês de abril, um tríplice convênio, que foi assinado no Rio de Janeiro pelo reitor da UFSM, Prof. Paulo Burmann, e pelo Diretor da Companhia Russa, Yury Arsentyevich Roy. O Diretor da Fatec, Thomé Lovato, também assinou o referido Convênio, em Santa Maria. O Convênio possibilitará executar o projeto institucional intitulado “Instalação e Manutenção Operativa Temporária de Estação de Medição Unidirecional (Rastreio de Sinais) do Sistema de Posicionamento e Navegação Russo GLONASS e Pesquisa de Funcionamento de Desenvolvimento e de Aplicações do Sistema no Brasil”. O projeto com nome tão extenso, eleva o Brasil no cenário mundial no fornecimento de dados que permitirão mapeamento e posicionamento geográfico mais preciso e confiável, pois juntamente com a Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, outras duas instituições obterão dados rastreio para melhorar a qualidade do sinal do sistema de posicionamento GLONASS na América do Sul: Universidade de Brasília - UnB e a Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.

Como se desenvolverá o projeto:

O projeto institucional envolve o Centro de Ciências Rurais (CCR) e o Centro de Tecnologia (CT) da UFSM, tendo como responsáveis técnicos, o coordenador e prof. Eng. Eletricista e Dr. em Geodésia, Eno Darci Saatkamp, do Núcleo de Geotecnologia do Dep. de Eng. Rural (DER-CCR), e o vice-coordenador, prof. Eng. Eletricista e Dr. em Eng. Elétrica, Renato Machado, do Dep. De Eletrônica e Computação (DELC-CT), e que também é o atual diretor do Laboratório de Ciências Espaciais de Santa Maria – LACESM/CT-INPE. Eles serão os executores do desafio, que aguarda apenas a finalização e assinatura do contrato para a vinda (exportação/empréstimo temporário pela Companhia Russa e admissão temporária pela UFSM) dos equipamentos que compõe a estação de rastreio. Esta etapa deverá ocorrer na metade de 2015, para que, a partir do segundo semestre, os equipamentos possam ser instalados e os rastreios iniciados. A instalação da estação de medição será em sala do Laboratório de Geodésia Espacial, no prédio do Núcleo de Geotecnologias do DER/CCR. Haverá também uma sala no LACESM/CT, que será usada pelos participantes do projeto e pelos alunos de Iniciação Científica e de mestrado, para estudos e desenvolvimento de pesquisas. Esse aspecto caracteriza a institucionalização e multidisciplinaridade do projeto, por envolver dois Centros da UFSM, e promove o intercâmbio e a complementação dos conhecimentos especializados dos participantes envolvidos.

Cabe informar que na UFSM já existe uma estação de referência, pertencente à Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo-RBMC. A RBMC é a sub-rede ativa que faz parte da rede de estações do Sistema Geodésico Brasileiro-SGB, materializadas por marcos implantados na superfície do país. No Brasil, o órgão responsável pela Cartografia e pela Geodésia é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE. A UFSM possui um convênio com o IBGE, para manter esta estação da RBMC, denominada SMAR (Santa Maria) continuamente operativa. O gestor técnico dela na UFSM é o próprio prof. Eno Saatkamp. A SMAR é uma das atuais 117 estações de referência ativas existentes no território nacional. Sobre cada uma delas há um receptor GNSS (Global Navigation Satellite System) de alta qualidade rastreando continuamente os sinais dos satélites da constelação GPS e, em muitas delas, também da constelação GLONASS. Os dados rastreados em cada uma dessas estações são públicos, e os usuários tem acesso aos mesmos por meio do servidor de dados disponível “on-line” na página do IBGE (www.ibge.gov.br, na guia geociências). A diferença entre as estações da RBMC e a nova estação de rastreio do GLONASS, é que esta tem como principal objetivo o uso dos dados ou dos sinais rastreados para melhorar a qualidade dos sinais do próprio sistema, por se tratar de uma estação monitora. Já as estações da RBMC que são estações de referência, tem como objetivo fornecer dados de rastreio aos usuários que necessitem realizar levantamentos georreferenciados pelo método relativo, que possibilita boas precisões (geralmente entre decímetros e centímetros) em suas aplicações de posicionamento. Ao final, a estação monitora possibilitará às estações de referência e usuárias também gerarem dados rastreados de melhor qualidade, que por sua vez, acarretarão aos usuários do sistema em posicionamentos mais precisos ou confiáveis, ou mais rápidos de se obter. As aplicações do posicionamento georreferenciado são as mais variadas.

Para saber mais sobre a aplicabilidade de sistemas de posicionamento por satélites artificiais:

No lazer: passeios, viagens, pesca, montanhismo;

Nas atividades técnicas: navegação em geral (aérea, marítima ou terrestre), rastreio em geral (veículos, pessoas, animais, objetos), levantamento ou demarcação” de propriedades (comumente denominado “georreferenciamento) públicas ou privadas, no limite de territórios, etc;

Na ciência: determinação detalhada do campo gravitacional terrestre (cujo conhecimento permite o refinamento de próprio sistema de posicionamento por satélite); posicionamento preciso de sensores (orbitais ou terrestres); medição da movimentação das placas tectônicas terrestres, monitoramento e estudo do comportamento de deformação de grandes estruturas ou obras civis; materialização do Sistema Geodésico de um país, fundamental nas atividades das engenharias civil, de agrimensura, cartográfica, de minas e outras.

Para saber mais sobre os sistemas de posicionamento por satélites artificiais existentes no mundo:

NAVSTAR - GPS - (Navigation System with Timing And Ranging – Global Positioning System) desenvolvido pelo departamento de defesa DOD – Department of Defese EUA, a partir de 1973 tornou-se totalmente operacional no final dos anos 1980, difundido na Guerra do Golfo, e é o mais popularmente conhecido. Atualmente conta com 31 satélites operacionais (fonte: https://www.glonass-iac.ru/en/GPS/ );

GLONASS – Sistema Global desenvolvido pela Rússia como um concorrente ao GPS, começou a ser desenvolvido na mesma época que o GPS, mas ficou temporariamente estagnado por um período por questões financeiras. Atualmente conta com 24 operacionais (fonte: http://glonass-iac.ru/en/). Na prática, é um sistema complementar e não concorrente ao GPS, pois ambos são usados complementarmente em grande parte das atividades técnicas de georreferenciamento e em atividades científicas de posicionamento preciso;

BEIDOU-COMPASS – é um sistema inicialmente regional funcional para a China desde 2011, e será ampliado para ser global até 2020, quando contará com 35 satélites. Atualmente conta com 14 satélites operacionais (fonte: http://igs.org/mgex/Status_BDS.htm);

GALILEO – desenvolvido pela Comunidade Europeia a partir de 2002. Ao contrário dos três anteriores, este é um projeto civil, e contará com 30 satélites. Objetiva se diferenciar dos demais sistemas pelos diversos tipos de serviços que fornecerá. Atualmente está com 6 satélites em órbita, ainda em fase de teste (fonte: http://www.gsc-europa.eu/system-status/Constellation-Information).  Possivelmente ainda em 2015 inicie os primeiros serviços, mas a previsão é que opere com capacidade máxima até 2019;

QZSS (Quase- Zenith Satellite System) – desenvolvido pelo Japão, tinha previsão de operacionalidade nos anos de 2013 e 2014, com três satélites em órbita (fonte: http://igs.org/mgex/Status_QZSS.htm);

IRNSS (Indian Regional Navigation Satellite System) – sistema regional para a India, com previsão de cinco satélites. Atualmente conta com um operacional (fonte: http://igs.org/mgex/Status_IRNS.htm);

Os objetivos da instalação da estação de rastreio dos sinais do sistema de posicionamento e navegação russo GLONASS, na UFSM, é mantê-la funcional para monitoramento e geração de correções de seus sinais.

Adequação da estrutura para instalação dos equipamentos no prédio do Núcleo de Geotecnologia da UFSM

- Contribuir para a operacionalização do sistema GLONAS, na América do Sul, pela disponibilização de dados de rastreio aos sinais de seus satélites, de forma que possibilite prover serviços confiáveis de posicionamento e de navegação para essa região do globo,
- Instalação e configuração dos equipamentos, e treinamento para a sua manutenção de funcionamento,
- Contribuir para os acordos assinados entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Roscosmos, que estabelecem cooperação técnica entre Brasil e Rússia (acordo entre o governo da República Federativa do Brasil e o governo da Federação Russa sobre a Cooperação na Pesquisa e nos Usos do Espaço Exterior para fins Pacíficos, assinado pelos Chanceleres Luiz Felipe Lampreia e Viktor Primakov, em 21 de novembro de 1997, em Brasília, disponível em (http://wwww.ae.gov.br/wp-content/uploads/2012/09/AcordoRussia1997.pdf);
- Prover suporte para estudos de pesquisa em sistemas de navegação por satélite conduzidas pelos pesquisadores envolvidos no projeto;
- Contribuir para a formação de pessoal com expertise técnica em GLONASS;
- Contribuir para a visibilidade do GLONASS no Brasil pela oferta de palestras e mostras de trabalhos ao público interessado;

O prof. Eno comentou que o Brasil não costuma investir em mapeamento cartográfico. Disse que há lugares do país em que há alguma atualização, mas não de forma sistemática, e que a maioria da Cartas Topográficas existentes foram geradas com levantamentos realizados há mais de 30 anos. Ele mostrou o último mapa de Camobi, datado de 1976. O Google Maps é o referencial mais recente e muito usado para trabalhos de mapeamento, mas trata-se de uma ferramenta de imagem da superfície terrestre, com distorções geométricas e posicionais, que não corresponde a uma Carta Topográfica. O professor observa que os dados obtidos com a Estação de monitoramento a se instalar na UFSM, vão contribuir para a ampliação destes conhecimentos com propriedade e profundidade sobre o posicionamento, que podem ser auxiliares no mapeamento. Para o prof. Eno, há dois aspectos que interferem para que um mapeamento adequado (preciso e atual) ocorra no Brasil:

- A imensidão geográfica: em um país de tamanho continental é mais difícil obter estes resultados com maior frequência, em comparação a outros países de menor tamanho. O custo é alto, mas a relação custo/benefício, que é o realmente importa, é muito justificado ou vantajoso. Os dirigentes brasileiros ainda não perceberam isso;

- O amadurecimento social, filosófico, educacional, político e cultural contribui para perceber que há uma necessidade de pensar diferente, de pensar no custo/benefício, e não somente no custo e nas dificuldades operacionais. Nos   países mais antigos e desenvolvidos, esses dados são primazes, fazem parte da ordem nacional de construção, desenvolvimento e hegemonia da nação.

O professor Eno aguarda com ansiedade a chegada dos equipamentos para enfim, concluir a montagem do laboratório de captação e gerenciamento de dados obtidos por meio de monitoramento de satélites, para dar a Santa Maria a categoria de observadora do céu, para que na terra, saibamos como melhor conduzir a vida.

Kelly Martini

MTb 137.25

Assessora de Imprensa da FATEC