Encontro sobre arroz sem uso de defensivos: da produção ao consumo

segunda, 23 de setembro de 2019.

Encontro sobre arroz sem uso de defensivos: da produção ao consumo

Ocorreu na tarde do dia 12 de setembro de 2019, na sala Claudio Mussói, no CCR, na Universidade Federal de Santa Maria o “Encontro sobre arroz sem uso de defensivos: da produção ao consumo”. O encontro contou com a presença de estudantes, professores, pesquisadores, produtores rurais da cidade e região, bem como, empresas do setor que realizaram a demonstração e a degustação de produtos do seguimento orgânico. Na ocasião estavam presentes, entre outras autoridades, o Reitor Paulo Burmann e o Vice-reitor Luciano Schuch. O prof. Reitor ressaltou a importância da parceria em todos os setores da sociedade,"que se pode muito mais quando se tem boas parcerias, unidas numa causa comum".

Palestrantes: professor Gustavo Pinto - Politécnico, empresário Anderson Bortoli - empresa Solst e professor Enio Marchesan - GPAI

  O professor Enio Marchesan iniciou sua fala agradecendo aos parceiros, e a todos que estão trabalhando em pesquisa e no desenvolvimento de produtos orgânicos e ressaltou que os cinco anos estão sendo de muita dedicação, na busca de identificar os principais desafios e estudar tecnologias que possam resolver as dificuldades enfrentadas.

O professor Enio destacou os dois principais objetivos desta linha de pesquisa que são, oferecer oportunidades de pesquisa a estudantes e à comunidade acadêmica na área de produção orgânica de arroz e tipos especiais de arroz; outro objetivo é tentar auxiliar produtores de arroz na busca em agregar valor a seus produtos, possibilitando mais competividade, especialmente a pequenos produtores rurais. Após a abertura oficial foram tratados os seguintes temas nas palestras:

- As transformações nos sistemas agroalimentares e a busca por alimentos saudáveis – com o professor Gustavo Pinto da Silva – Colégio Politécnico da UFSM, coordenador da Polifeira do Agricultor, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa Agroalimentar Georreferenciada - GIPAG – Ele falou um pouco sobre o comportamento de mercado e salientou que nunca antes como agora, as pessoas haviam se preocupado tanto com a origem dos alimentos consumidos, e cada vez mais existe a preocupação com a política e a filosofia das empresas, o combate e a erradicação do trabalho infantil e escravo, a importância do comprometimento sustentável e com o meio ambiente, outro ponto e é o que agrega valor é a preocupação com o desenvolvimento social, que a empresa trate o consumidor de forma clara e honesta. Ele enfatizou que as pessoas não compram apenas comida, mas compram uma ideia, um pensamento, um modo de existir e isso, impacta diretamente na importância de ver o modo de produção: saber sobre os processos desde a preparação da semente, do plantio, da colheita, do armazenamento, da embalagem e venda até chegar ao mercado onde o produto está à disposição dos clientes. Essa preocupação está muito ligada ao modo de vida exigente e acelerado em que se vive. Cada vez mais há a busca por vida saudável e isso começa com a alimentação de qualidade e ainda, com um propósito que vai além do simples consumo, que passa a ter uma importância social com visão para o futuro. O professor Gustavo aponta que o setor da alimentação é muito sensível e suscetível a especulações, de tempo em tempo, surgem problemas tais como ocorreram com “o mal da vaca louca” que prejudicou as exportações de carne, a “operação carne fraca” que indicava a presença de papel na carne, “o leite compensado” que levava aditivos como água, soda e outros. O consumo dos alimentos orgânicos adquire cada vez mais espaço, até por que cada vez mais as pessoas estão adquirindo alergias, intolerâncias e restrições alimentares, com a entrada dos orgânicos a segurança alimentar se amplia e assegura mais saúde à população.

à esquerda: plateia; à direita - Jader e Loecir Bastiani - filho e pai - produtores rurais de orgânicos;

- Os principais desafios para produção de arroz orgânico – com professor Enio Marchesan - GPAI-UFSM que falou um pouco dos desafios e das dificuldades de se dividir as informações sobre o que se vem produzindo em relação aos produtos orgânicos. O professor ressalta que são cinco anos de pesquisa e empenho, pois se está iniciando um novo processo, diferente do convencional que já se tem conhecimento. É um trabalho desbravador, pioneiro com muita experimentação, mas para isso, é preciso troca de informações, intercambio de conhecimentos para que se possa avançar. É um permanente “exercício do fazer”, enfatiza Marchesan. Há muitos processos envolvidos: desde a semente, o trato com as ervas daninhas e pragas, a nutrição, a planta, a colheita, a armazenagem, o empacotamento e a distribuição e tudo isso, salienta o professor tem um modo diferenciado na produção orgânica. Mas além de colocar um produto diferenciado à disposição da população, é preciso que o produtor rural tenha incremento de renda, buscando também tornar menos trabalhosas as atividades de todos os envolvidos no processo. Como consequência tem-se a sustentabilidade no processo de produção. Marchesan reitera a importância de haver uma organização que reúna produtores, pesquisadores e empresas que fornecem produtos e insumos nesta linha de produtos orgânicos e tipos diferenciados de produção de arroz.  O primeiro objetivo é conhecer o que se tem de opções para este sistema de produção. Com as trocas de experiências, tendo como alvo dividir o que deu certo e também o que se precisa conhecer mais, retroalimentando o processo. Com esta união pode-se avançar de forma mais segura. 

- Os principais desafios da comercialização de orgânicos – com Anderson Bortoli – criador da empresa Solst Espaço Orgânico e Natural – ele contou um pouco de sua experiência na oferta e venda de produtos orgânicos, que inicialmente precisou se adequar ao mercado que está cada vez mais exigente e dominante. Ele explicou que o Brasil possui parceiros comerciais e exporta produtos para a Índia, Alemanha e EUA, mas isso nem sempre foi assim, e se o mercado interno está exigente, muito mais está o mercado externo, que precisa obedecer legislações específicas, precisa de muita criatividade e conhecimento técnico para ser bem aceito e ter reconhecimento. Ele acredita que cada vez mais é necessário investir em ciência e tecnologia e isso tudo ele encontrou na UFSM. Ele que é formado em Agronomia na instituição e aproveitou o acolhimento recebido e o intercâmbio de ideias e sugestões em todos os processos que os seus produtos estiveram sendo testados. Ele comenta que mesmo ainda sendo um produto de valor mais elevado ele tem no mercado interno um futuro promissor e garantia de sucesso no exterior abrindo cada vez mais espaço para os outros produtos que certamente virão, salienta ele, pois há lugar para todos.

Os produtores rurais Loecir Bastiani (representante comercial) e Jader Bastiani (engenheiro agrônomo formado na UFSM) pai e filho, ambos proprietários de lavouras em Rosário do Sul e Faxinal do Soturno, comentaram o sucesso do empreendimento. Loecir comenta que em 120 dias foram comercializadas duas mil toneladas de adubo orgânico, os dois ressaltam a importância das discussões ocorridas no encontro para o setor. Na sua propriedade cerca de 80% da produção de pastagens são orgânicas e querem concluir a marca dos 100% em breve. No total são 151 hectares entre produção de arroz, soja e milho, em Rosário do Sul, tudo sendo cultivado com adubação orgânica, o que segundo Loecir é algo que vem para ficar, pois é uma exigência cada vez maior do mercado. Jader atende a sua propriedade e de outros produtores e informa que é um consenso, a busca pelo orgânico incrementa cada vez mais a qualidade e a produtividade de tudo que se produz. 

à esquerda - arroz com linguiça e risoto caprese (vegano) servido ao final da palestra; à direita pessoas na fila da degustação;
 

Ao final da tarde, e para finalizar as apresentações, no Largo do Planetário aconteceu a degustação do arroz orgânico. Para todos os paladares, foi servido um saboroso Arroz com Linguiça e um Risoto Caprese Vegano (totalmente sem ingredientes de origem animal) pela senhora Neusa Biasi, estudante de gastronomia e produtora rural que comercializa seus produtos na Polifeira do Agricultor em Santa Maria.

Kelly Martini – MTb 137.25

Assessora de Imprensa da FATEC