FATEC - A FATEC – UFSM com o Grupo de Pesquisa em Arroz Irrigado e Uso Alternativo de Várzea inspiram técnicas sustentáveis no processo produtivo de culturas

A FATEC – UFSM com o Grupo de Pesquisa em Arroz Irrigado e Uso Alternativo de Várzea inspiram técnicas sustentáveis no processo produtivo de culturas

Postado em 22/12/2014.

“O maior desafio da agricultura na atualidade é tornar operacional a tão discutida sustentabilidade do processo produtivo, algo que tanto queremos e que tanto buscamos”, com essas palavras, o professor Enio Marchezan, Engenheiro Agrônomo, Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, que coordena o Grupo de Pesquisa em Arroz Irrigado e Uso Alternativo de Várzea, enfatizou a importante tomada de decisão, no que se baseia o desenvolvimento dessa pesquisa sobre o cultivo rotativo de culturas, nas diferentes estações do ano.

Uma das principais preocupações segundo o professor Enio é buscar alternativas para não estressar o ambiente obtendo os melhores resultados. A aplicação do projeto conta com a participação de alunos de graduação, mestrado e doutorado, bem como, empresas públicas e privadas e produtores rurais que trabalham de forma conjunta, desenvolvendo seus potenciais. Uma das formas de transferência de tecnologias e de trocas de experiências, através do Dia de Campo, com a explanação de boletins técnicos, palestras, trabalhos em Congressos e publicação de artigos científicos. Com estas estratégias abrange-se públicos de diversos segmentos da cadeia produtiva entre a comunidade acadêmica e os produtores rurais, observando a aplicabilidade da pesquisa.

A pesquisa passa por quatro linhas: manejo de arroz irrigado; rotação de culturas em áreas de várzea; produção animal em várzeas e resíduos de agrotóxicos em plantas e no ambiente.

Em sua maior parte, os trabalhos são na área de manejo dos cultivos, que envolve diversas áreas do conhecimento, num trabalho integrado em diferentes especialidades, através de pesquisadores, instituições e empresas da cadeia envolvida na pesquisa, como forma de obter maior qualidade e abrangência do estudo, foco na produtividade dos cultivos e da área, com sustentabilidade do produtor, do ambiente e da sociedade. A pesquisa em seu princípio teve como base inicial a cultura de arroz, evoluiu e integra lavoura-pecuária, através de bovinos de corte e produção de forrageiras durante o período de inverno.

A pesquisa aderiu também em sua linha a rizipisicultura, tentando para identificar as dificuldades e exigências desta proposta de uso de áreas de várzea. Mais recentemente, intensificou-se a pesquisa na área de soja em várzea, na tentativa de identificar e resolver os principais fatores que afetam a produção, como o ambiente para o crescimento radicular e a nodulação da soja. O uso de plantas de cobertura durante o período de inverno, na tentativa de adaptar para a várzea, os princípios de produção sustentável de manejo de áreas preconizado para áreas de coxilha, redução na mobilização do solo viabilizando o uso do plantio direto, realização da rotação e/ou sucessão de cultivos e manter plantas de cobertura do solo durante todo o período, com o objetivo de proteger a terra e proporcionar a ciclagem de nutrientes, melhorando diversos aspectos de qualidade do solo.

Na rizicultura o grupo de pesquisa comprovou que não há necessidade da retirada de água no sistema pré-germinado, evitando contaminação de cursos de água, da flora e fauna associada à perda de nutrientes da lavoura. Este grupo também ajudou a gerar a informação da época de adubação no sistema, o que facilita o manejo, reduz custos e ocorrência de algas que prejudicam o estabelecimento das plantas de arroz.

Quanto ao uso de agrotóxicos a informação de que a água deve permanecer na lavoura por um período mínimo de 30 dias após a aplicação de herbicidas aplicados na fase inicial de crescimento do arroz, como forma de reduzir a quantidade presente na água e não contaminar cursos de água. Estas duas tecnologias estão hoje referendadas pela pesquisa de arroz irrigado e encontra-se nas recomendações técnicas da cultura, constantes na publicação realizada sob a coordenação da Sociedade Sulbrasileira de Arroz Irrigado. A pesquisa indica que não se deve realizar a drenagem das lavouras de arroz ao final do período de irrigação, pois determinados fungicidas e inseticidas ainda estão em níveis elevados na água de irrigação no momento de retirada da água, pois são aplicados próximos à colheita. Esta recomendação também faz parte das recomendações técnicas para o cultivo de arroz, tendo a contribuição efetiva deste grupo de pesquisa.

Em trabalhos recentes, quanto ao arroz, os agrotóxicos em alguns princípios ativos, se não forem adequadamente utilizados, podem permanecem nos grãos após a colheita dependendo do beneficiamento a que foram submetidos. Mas esta é uma área que ainda precisa de maiores estudos, ficando o alerta para o uso correto da tecnologia, como forma de manutenção da qualidade do alimento.

Na integração lavoura-pecuária, os resultados econômicos da aplicação das tecnologias de produção de bovinos de corte, indicam que é uma atividade econômica com utilização de nível tecnológico elevado. Esta é uma importante medida que se constitui em mais uma alternativa de diversificação de uso de áreas de várzea, contribuindo para diminuir o monocultivo de arroz e do uso com maior sustentabilidade destas áreas.

No cultivo de soja, os estudos indicam que a melhoria do ambiente para o desenvolvimento do sistema radicular e de nódulos é o ponto central da produção de soja em áreas de arroz com presença de camada compactada próximo à superfície do solo, o que é comum em áreas planas de arroz. Estudos de adequação da área para outros cultivos ditos de “sequeiro” envolve, entre outras práticas, a drenagem da área. Esta é a principal atitude de manejo para viabilizar a rotação de culturas em áreas de arroz e seu uso mais intensivo e sustentável.

Adequar a área para a possibilidade de irrigação é outra prática prevista no planejamento de uso do solo, dependendo do fluxo de chuvas na região. Além da drenagem, da irrigação, o perfeito nivelamento da área que é obtido pelo nivelamento superficial do solo e o estabelecimento de drenos superficiais, o grupo de pesquisa identifica que a drenagem subsuperficial é fundamental para o melhor desenvolvimento do sistema radicular, da nutrição das plantas de soja e minimização de estresses provocados por excesso e ou deficiência hídrica. A pesquisa indica que a melhoria pode ser obtida através de mecanismos da semeadora, que reduz custos e operações em relação a outras alternativas de manejo. O projeto busca entender melhor as relações da planta e do ambiente de terras baixas com frequentes estresses hídricos.

Para complementar a proposta da pesquisa há a adequação da parte química, física, biológica e de conservação do solo como forma de potencializar o seu uso e elevar o potencial produtivo dos cultivos nas áreas de arroz. O professor destaca o anseio pela identificação de tecnologias sustentáveis para o manejo dos cultivos agrícolas em áreas de terras baixas só é possível pela participação efetiva de alunos de graduação e de pós graduação da UFSM e de diversos colaboradores e instituições, da Instituição e fora dela, através de trabalhos conjuntos, viabilizando a formação de recursos humanos e a transferência de tecnologias, através do financiamento de projetos da pesquisa.

O professor Enio salienta que um dos aspectos prioritários deste Grupo de Pesquisa em Arroz Irrigado e Uso Alternativo de Várzeas é otimizar os recursos utilizados na pesquisa, através do ensino e da extensão que se complementa com a facilidade com que os produtores rurais efetivam o conhecimento que possuem da lida no campo, com as práticas construídas na Universidade. O que é oportunizado com o livre acesso e a observação do desenvolvimento dos experimentos de pesquisa, em uma área didático experimental dentro da própria Universidade, em cerca de 10 hectares, onde a pesquisa é aplicada e encontram-se sinalizados com placas identificatórias.  Segundo o professor, o produtor rural, por iniciativa própria, fica à vontade para observar a evolução dos resultados através do desenvolvimento das plantas podendo comparar com o jeito que ele faz na sua propriedade. Este incentivo propicia que o agricultor possa ter a sua conclusão tecendo seus questionamentos, sobre o desenvolvimento da cultura, o professor Enio enfatiza “em nenhuma universidade isso é tão evidente, como na Universidade Federal de Santa Maria. Aqui há uma parceria tão sintonizada que é construída com a teoria efetivada na prática partilhada, através das mãos de nossos agricultores”.

 

Kelly Martini

Assessora de Imprensa da FATEC

Mtb 137.25




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