FATEC - Projeto de conservação e conscientização sobre o ecossistema de floresta nativa traz novas possibilidades aos moradores e produtores da cidade de Segredo-RS e região

Projeto de conservação e conscientização sobre o ecossistema de floresta nativa traz novas possibilidades aos moradores e produtores da cidade de Segredo-RS e região

Postado em 04/07/2016.

Legenda 1: área de reflorestamento

O projeto Plano de Manejo e Conservação de remanescente de Floresta Nativa, iniciado em 2012, em Segredo - RS, sob a coordenação do professor Dr. Jorge Antonio Farias, foi criado após ação de fiscalização do Ibama em um remanescente de floresta nativa, que estava sendo alvo de degradação para a expansão de área para produção agrícola. Com o objetivo de inserir e estudar novas tecnologias de produção que tornassem realidade a estratégia de conservação pelo uso, o remanescente está inserido no contexto da agricultura familiar, onde a geração de renda destas famílias está diretamente relacionada à cultura do tabaco, além de outros produtos agrícolas para a subsistência.

Legenda 2: projeto em implementação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A partir do desafio de restaurar áreas desmatadas e demostrar que áreas com matas nativas podem gerar renda, o Centro de Pesquisas Florestais – Cepef /UFSM juntamente com o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco -Sinditabaco e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-Ibama, elaboraram um projeto com metodologias e propostas em que criassem equilíbrio entre a necessidade de preservar e conservar e ao mesmo tempo permitir o uso racional, sustentável, sem a descaracterização da floresta remanescente. 

A metodologia  

O desenvolvimento de uma agrofloresta que contribuísse com a produção, a conservação dos recursos hídricos, a preservação da paisagem e a manutenção do solo, facilitando o fluxo gênico da fauna e da flora, bem como, da vida humana neste local, foi o grande desafio da metodologia. E, foi concebida na perspectiva de construir um cenário de uso econômico dos recursos naturais, através da recuperação das áreas desmatadas através da construção de sistemas agroflorestais, com espécies florestais produtoras de produtos madeiráveis (lenha) e não-madeiráveis (folhas, frutos, óleos, etc...).

As técnicas

Aprovadas pelo Ibama, as técnicas de restauração do dano ambiental constituem-se de Sistemas Agroflorestais e de Nucleação, na primeira etapa, e posteriormente serão implantadas ações de conservação e usos da floresta remanescente e também ações de educação ambiental.

Legenda 3: o projeto sendo aplicado nas escolas - educação ambiental.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As atividades de preservação do meio ambiente

O projeto não compreende unicamente as propriedades rurais, mas também, todo o maciço florestal da área estimada em 120 hectares, buscam integrar ao projeto alternativas de produção junto à floresta nativa, o que vem ocorrendo com a comunidade, as várias atividades de cunho científico e de extensão rural. Tais como:

Inventário florestal – levantamento qualitativa e quantitativo da flora, o que possibilita com os dados obtidos, estruturar a formação do Plano de Manejo das espécies arbóreas-arbustivas.

Composição florística + herbário – identificação e herborização das plantas com objetivo de quantificar a riqueza das espécies para estabelecer indicadores da biodiversidade e instrumentos  de educação ambiental.

Manejo florestal de unidade teste – através do inventário florestal, pôr em prática o plano de manejo de produtos madeireiros, para que seja socializada ferramentas de intervenção na floresta sob a lógica da conservação pelo uso.

Incentivo à produção de produtos não madeireiros e madeireiros – busca pela sustentabilidade através de práticas de extrativismo na floresta, oportunizando o ganho, a renda de tudo que é colhido sem causar dano ecológico permanente e nem perda de renda.

Educação ambiental – realizações de ações educacionais nas escolas do município, envolvendo atividades de identificação de árvores, aves, passeios em trilhas ecológicas, busca por conscientizar sobre a importância da conservação do meio ambiente e o uso sustentável dos recursos naturais. 

Legenda 4: a comunidade interagindo junto ao projeto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Sistema Agroflorestal – SAF, são sistemas de produção diversificada baseadas na sucessão ecológica que ocorre nos ecossistemas naturais.       As espécies são manuseadas em associação com culturas agrícolas, cipós, forrageiras e arbustivas, numa mesma unidade de produção e manejo, com alta diversidade de espécies e interações entre elas, no qual a produção é diversificada. As áreas de vegetação secundária e áreas de regeneração natural inicial (capoeira), por exemplo, as áreas autuadas pelo Ibama na cidade de Segredo – RS, que possuem pouca expressão econômica, podem ser reabilitadas e usadas racionalmente por meio de práticas agroflorestais. Nestes locais são cultivadas de forma integrada os componentes agrícola e florestal, sendo as principais culturas agrícolas: abóbora, mandioca, melancia, aveia, soja, feijão, batata-doce, garantindo subsistência e renda.

No manejo dos SAF, as técnicas que aceleram o processo sucessional são a capina seletiva e a poda de crescimento/rejuvenescimento e a desrama para estruturação vertical das árvores.

O projeto tem a pretensão de mostrar um novo modelo de produção para as propriedades rurais familiares, pois é justamente na agricultura familiar que se encontra a totalidade dos remanescentes significativos da mata atlântica, e dessa forma é necessário e possível mostrar aos agricultores familiares o patrimônio que representa esses remanescentes de florestas ativas e a possibilidade de usufruir de renda destas áreas sem haver a supressão da floresta. Além disso, a UFSM, através da FATEC, cumpre importante papel de socializar e compartilhar todo o conhecimento técnico-científico produzido pela Engenharia Florestal em seus 46 anos de existência na nossa Universidade Federal de Santa Maria – UFSM.

Kelly Martini – MTb 137.25

Assessora de Imprensa da FATEC 




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