FATEC - Novas perspectivas para a restauração ecológica no RS com a parceria entre NEPRADE/UFSM - FATEC e CMPC Celulose Riograndense

Novas perspectivas para a restauração ecológica no RS com a parceria entre NEPRADE/UFSM - FATEC e CMPC Celulose Riograndense

Postado em 07/11/2016.

O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas/NEPRADE da Universidade Federal de Santa Maria e a empresa CMPC Celulose Riograndense desenvolvem projetos de pesquisa em restauração ecológica e qualidade ambiental. A ideia central dos trabalhos é experimentar estratégias com maior eficiência, gerando maior competência ambiental com menor custo na implantação e monitoramento.

Nos projetos NEPRADE/CMPC estão sendo testados diferentes métodos de nucleação, dentre as quais se destacam o uso de poleiros artificiais, transposição do banco de sementes do solo, condução da regeneração natural, além do plantio em núcleos.

A parceria tem obtido resultados interessantes com os métodos de restauração. No projeto “Restauração Ecológica em Área Degradada por Atividade de Mineração no Município de El Dourado do Sul”, as técnicas de nucleação são testadas em área que, anteriormente à aquisição pela empresa, era utilizada para extração de argila, deixando o subsolo exposto por 15 anos. A CPMC, após a aquisição da área, está reduzindo o passivo ambiental.

Primeiramente, a equipe que coordena o projeto realizou uma análise das condições de resiliência e da necessidade de deslocar o escoamento superficial dos pontos de maior vulnerabilidade. A partir disto, foram selecionadas técnicas com potencial de restauração, sempre visando à redução dos custos e retorno da estrutura e funções ecossistêmicas. Em novembro de 2014, a equipe instalou plantios em núcleos, poleiros artificiais e parcelas de transposição do banco de sementes e a regeneração natural passou a ser monitorada.

Técnicas de restauração ecológica testadas em área degradada por atividade de mineração


A)Plantio de mudas em núcleos,


B)Transposição do banco de sementes do solo,


C)Implantação de poleiros artificiais,


D)Isolamento e condução da regeneração natural,

Os resultados obtidos até o momento indicam a viabilidade das técnicas e como se complementam para alcançar os objetivos da restauração em áreas degradadas. Com a implantação dos poleiros artificiais e das mudas observou-se a utilização da área pela avifauna presente no entorno. Foram identificadas nove espécies de aves em visitação a mudas, poleiros artificiais ou na regeneração. Entre elas estão Pitangus sulphuratus (bem-te-vi), Cathartes aura (urubu-de-cabeça-vermelha), Patagioenas picazuro (pombão), Butorides striata (socozinho), Turdus rufiventris (sabiá-laranjeira), Coereba flaveola (cambacica), Zonotrichia capensis (tico-tico), Knipolegus lophotes (maria-preta-de-penacho) (Figura 2A) e Tyrannus melancholicus (suiriri) (Figura 2B). Como resultado, houve aumento significativo no aporte da chuva de sementes coletada nos poleiros, contabilizando-se 2043 sementes de 32 espécies vegetais nos primeiros seis meses de monitoramento.

 Registro fotográfico de aves utilizando poleiros artificiais na área do projeto


A) Knipolegus lophotes (maria-preta-de-penacho),

B) Tyrannus melancholicus (suiriri),

Assim como os poleiros artificiais, os plantios em núcleos está apresentando alta eficiência, com sobrevivência de 98% e desenvolvimento satisfatório. Entre as espécies implantadas, o maricá (Mimosa bimucronata) e a aroeira pimenteira (Schinus terebinthifolius) tem se destacado. Uma das inovações do projeto é o uso de espécies de maior porte, o que é possível na técnica de plantio em núcleos, pois apresenta custos reduzidos em relação ao plantio em área total.

O fato de se utilizar mudas mais desenvolvidas, acelerou a entrada em fase reprodutiva, o que é altamente benéfico em processos de restauração, como pode ser registrado para a pata-de-vaca (Bauhinia forficata) e aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius).

Em relação à transposição do banco de sementes do solo, houve um aumento no número de indivíduos e espécies recrutadas. Nas parcelas-controle foram encontradas 21 espécies, enquanto nas parcelas com transposição foram 43 espécies, entre herbáceas, arbustivas e arbóreas. É perceptível na área com o retorno da fauna silvestre, os insetos, espécies herbáceas e florestais, o que significa a reativação gradual dos serviços ecossistêmicos, como polinização, dispersão de sementes e cobertura do solo. Tudo com menores custos se comparado ao plantio em área total.

Mesmo com resultados iniciais, verifica-se que os métodos implantados são promissores para a restauração ecológica no RS e as técnicas poderão ser aplicadas em conjunto ou separadamente, dependendo da tomada de decisão técnica. Para a professora Engenheira Florestal, Drª Ana Paula Rovedder, coordenadora do projeto, os resultados da parceria com a CMPC Celulose Riograndense têm sido muito gratificantes e a FATEC possibilita a viabilização dos projetos e demandas do NEPRADE.

Kelly Martini – MTb 137.25
Assessora de Imprensa da FATEC 




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