FATEC - Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia do Departamento de Geociências/UFSM busca despertar a consciência educacional para a preservação do patrimônio paleontológico de Santa Maria e região

Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia do Departamento de Geociências/UFSM busca despertar a consciência educacional para a preservação do patrimônio paleontológico de Santa Maria e região

Postado em 28/11/2016.

A vida na Terra e a existência dos dinossauros sempre provocou a imaginação de crianças e jovens. Este assunto atrai a atenção e rende discussão sobre vários aspectos. A vivência dos “dinos” no planeta dá o que falar e equívocos vão se perpetuando, sendo um deles a ideia de que estiveram por aqui no Período Jurássico, mas foi no Período Triássico, no início da Era Mesozoica, há cerca de 225 milhões de anos que eles surgiram no planeta, exatamente aqui em Santa Maria.
O coordenador do projeto “Resgate e Valorização do Patrimônio Paleontológico na área de abrangência da UFSM”, Dr. em Geologia Sedimentar Átila Augusto Stock da Rosa, que coordena também o Laboratório de Estratigrafia e Paleobiologia, do Departamento de Geociências da UFSM, explica as atividades realizadas na pesquisa que engloba ensino, pesquisa e extensão. O projeto investiga fósseis da região central do RS e em especial sobre os vertebrados do Período Triássico e Pleistoceno, visando refinar as reconstruções paleoambientais existentes na área de abrangência da UFSM.
Legenda 1: a equipe do professor Átila na descoberta de fósseis.

Para saber mais

Paleontologia é a ciência que estuda as formas de vida existentes em períodos geológicos passados, a partir de fósseis de vegetais ou animais com mais de 10 mil anos.
Arqueologia é a ciência que estuda os costumes e a culturas dos povos antigos através do material (fósseis, artefatos, monumentos etc.) registros que restaram da vida desses povos, com menos de 10 mil anos.
Em 1929 Alfred Wegener, geógrafo e meteorologista alemão, propôs a Teoria da Deriva Continental "A Origem dos Continentes e Oceanos" no qual propunha que os continentes, que hoje são separados pelos oceanos, anteriormente eram unidos em uma única aglomeração, chamado Pangeia – do grego = “Terra Única", há cerca de 300 milhões de anos, no período Permiano. Evidências geológicas e paleontológicas foram estudadas para apoiar esta teoria, como por exemplo o geólogo norte-americano Gordon Junior, que em 1947 classificou pela primeira vez amostras de rochas nos três estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, reconhecendo fósseis que também eram encontrados na África, Índia e Austrália. 
Legenda 2: fóssil encontrado 

Para compreender melhor

Santa Maria dá nome à formação geológica encontrada na região, mais facilmente reconhecida pelos barrancos vermelhos, à margem das rodovias ou em escavações de obras. Em Santa Maria, foram encontrados os primeiros vertebrados fósseis do período Triássico da América do Sul, em 1902, e posteriormente fragmentos de plantas, estudados entre os anos de 1970 a 1974 pelo professor e pesquisador da UFSM, Carlos Alfredo Bortoluzzi, que ajudaram a apoiar a Teoria da Deriva Continental. A partir destas descobertas a comunidade acadêmica tem prestado muita atenção sobre a realidade geológica e paleontológica de Santa Maria e a região. 

O patrimônio paleontológico que aqui se encontra é formado pelos fósseis e sítios fossilíferos. Estes permitem o entendimento da evolução geológica e biológica do planeta, assim como, uma avaliação indireta das idades e eras. Assim, sua preservação se reveste de extrema importância, tanto científica quanto para o uso racional destes recursos, por exemplo para o turismo educativo.A pesquisa visa facilitar o acesso dos pesquisadores da UFSM em atividades de extensão, que levem à proteção do patrimônio paleontológico na região de atuação da UFSM, no sul do Brasil, mais especificamente na porção central do estado de estado, e como principal objetivo o resgate de fósseis e a execução de atividades de Educação Patrimonial na área de abrangência da UFSM.
Legenda 3: fóssil em preparo para isolamento e cuidado
 

Metodologia

*Resgatar fósseis, por demanda da comunidade, com técnicas apropriadas para cada tipo de fóssil;

*Prestar serviços, para entidades públicas ou privadas, como confecção de laudos e diagnósticos paleontológicos, ou outros que vierem a ser solicitados;

*Confecção de laudos e pareceres paleontológicos, será realizada a partir da identificação dos aspectos geológicos locais e geomorfológicos, para avaliação das litologias aflorantes na região, reconhecimento das litologias em subsuperfície, quando houver sondagens a trado e/ou percussivas, disponibilizadas pelo empreendedor, e levantamento do potencial paleontológico, mediante o reconhecimento de litofácies favoráveis à formação e preservação de níveis fossilíferos;

*Medidas de Educação Patrimonial em Paleontologia, na forma de palestras para funcionários, professores e estudantes da rede escolar, bem como oficinas e exposições temporárias.

Justificativa do projeto

Através das atividades realizadas em projeto semelhante “Salvamentos Paleontológicos no distrito geoeducacional da UFSM”, foram realizados trabalhos de levantamento paleontológico, e em alguns casos reconhecidos novos sítios paleontológicos em diversos municípios do estado do RS, com especial interesse nas localidades de: Unistalda, Santiago, São Francisco de Assis, Manoel Viana, Alegrete, rio Ibirapuitã, Rosário do Sul, Bagé, Santa Maria, Uruguaiana, Barra do Quaraí, Quaraí. As atividades desenvolvidas junto à comunidade não acadêmica têm permitido não apenas importantes resultados científicos, como também, a conscientização e formação de um espírito conservacionista, mediante ações de Educação Patrimonial, pela identificação de áreas para preservação do patrimônio paleontológico, ou pela própria ação de salvamento paleontológico.

O coordenador Átila reflete sobre a importância da conscientização da preservação dos bens geológicos e paleontológicos, sobre a preservação como forma de conservação da informação de eras e períodos geológicos de nosso passado pré-histórico, e relembra também, como foi a criação da Comissão Especial de Resgate do Patrimônio Paleontológico e Arqueológico/CERPPA, com a saudosa participação do professor Saul Eduardo Senguer Milder, professor do Departamento de História, Dr. em Arqueologia, falecido em 2014. Para o coordenador Átila a importância da FATEC para a realização do projeto reside no fato de poder viabilizar as condições de infraestrutura, como por exemplo, os custos de deslocamento e manutenção de equipes, para a realização de atividades de extensão, fora do campus da UFSM, e dentro de sua área de abrangência, em todo sul do país.

Kelly Martini – MTb 137.25

Assessora de Imprensa da FATEC




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